domingo, 15 de fevereiro de 2015

Altas habilidades e Superdotação


Hoje vamos conversar sobre a educação dos superdotados é, sem duvidas, complexa, e, ao mesmo tempo, desafiadora. Há muito material bacana pra estudar quem tiver interesse eu convido para descobrir os mistérios dos superdotados.
Muitas crianças e jovens são extremamente inteligentes, criativos ou excepcionalmente brilhantes, e são educados por adultos que não sabem, não percebem ou não entendem o alcance de seu potencial intelectual. Esses estudantes, algumas vezes, são erroneamente identificados como tendo problemas de conduta. Normalmente os superdotados chegam na escola sabendo muito dos conteúdos e têm de assistir aulas projetados para alunos cujo o ritmo de aprendizagem é mais lento, portanto a aula para esse aluno se tornara fraca e desinteressante.

As pessoas que marcaram a história por suas contribuições ao conhecimento e á cultura não são lembradas pelas notas que obtiveram na escola ou pela quantidade de informações que conseguiam memorizar, mas sim pela qualidade de suas produções criativas, expressas em concertos, ensaios, filmes, descobertas cientificas, etc. [Renzulli & Reis, 1985]

Joseph Renzulli, renomado pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa sobre o Superdotado e Talentoso da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, em seu Modelo dos Três anéis, considera que os comportamentos de superdotação resultam de três conjuntos de traços:
a) habilidade acima da média em alguma área do conhecimento (em relação aos pares da mesma idade e origem social e cultural),
b) comprometimento com a tarefa(implica em motivação, vontade de realizar uma tarefa, perseverança e concentração);
c) criatividade (pensar em algo diferente, ver novos significados e implicações, retirar ideias de um contexto e usá-las em outro).
Nem sempre a criança apresenta este conjunto de traços desenvolvidos igualmente, mas, se lhe forem dadas oportunidades, poderá vir a desenvolver amplamente todo o seu potencial.
Renzulli discute ainda a importância de se entender a superdotação como um comportamento que pode ser desenvolvido em algumas pessoas (naquelas que apresentam alguma habilidade superior à média da população), em certas ocasiões e sob certas circunstâncias (e não em todas as circunstâncias da vida de uma pessoa) [Renzulli & Reis, 1997].
Esta diferenciação é importante, pois este autor, ao considerar a superdotação como um comportamento a ser desenvolvido, retira a discussão da questão, muitas vezes estéril, de se rotular uma criança como superdotada ou não, para enfocá-la na necessidade de se oferecer oportunidades educacionais fundamentais e variadas para que um número maior de crianças possa desenvolver e apresentar comportamentos de superdotação.
Deste ponto de vista, segue-se que tais comportamentos podem e devem ser desenvolvidos naquelas pessoas que não são, necessariamente, as que tiram as melhores notas ou apresentam maiores resultados em testes de QI.
Frequentemente se confundem termos como precocidade, “criança prodígio”, gênio ou “hiperatividade” com as Altas Habilidades/Superdotação.

 Chamamos de precoce a criança que apresenta alguma habilidade específica prematuramente desenvolvida em qualquer área do saber ou do fazer como, por exemplo, na música, na matemática, na linguagem, na leitura, nas habilidades motoras. As crianças precoces tendem a se equiparar com seus pares, à medida que passa o tempo. A criança com Altas Habilidades/superdotação pode apresentar precocidade em alguma área, mas os dois termos não são sinônimos.

 A “criança prodígio” é aquela que apresenta um desenvolvimento, em alguma área do saber ou do fazer humano, equivalente ao de um adulto especialista na área. Um exemplo foi a atriz Shirley Temple (que chegou a ser cogitada para a personagem do filme “O Mágico de Oz”, interpretada por Judy Garland). Entretanto, a atriz não teve uma performance tão destacada depois que se tornou adulta. Esse termo, portanto, não é equivalente de altas habilidades/superdotação.

 Mozart, assim como Einstein, Gandhi, Freud e Portinari, entre outros mestres, são exemplos de gênios, termo este reservado para aqueles que deram contribuições extraordinárias à humanidade. São aqueles raros indivíduos que, até entre os extraordinários, se destacam e deixam sua marca na história. Certamente os gênios foram pessoas com altas habilidades/superdotação, mas não toda pessoa com altas habilidades/superdotação será necessariamente um gênio. Portanto, esses termos também não são sinônimos.
O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de origem genética, causado por alterações no funcionamento e nas conexões de alguns neurotransmissores. Os sintomas comuns do TDHA (desatenção, impulsividade e hiperatividade), muitas vezes, levam a diagnosticar uma criança com Altas Habilidades/Superdotação como “hiperativa” equivocadamente. Entretanto, sob hipótese alguma o TDAH é sinônimo de Altas Habilidades/Superdotação.
Existem crianças muito inteligentes e crianças superdotadas. Há diferenças entre elas. Nas pesquisas que fiz, encontrei algumas informações que poderão ajudar você, professor, a distinguir um aluno superdotado de um muito inteligente.
Identificando e atendendo as necessidades educacionais dos alunos com altas habilidades/superdotação. Segundo Reynoldes e Birch (1982), e Lewis e Doorlag (1991), há seis princípios importantes que podem auxiliar o professor a oferecer experiências educacionais apropriadas para esse grupo de alunos, no contexto da sala inclusiva:

1. Estimular a independência de estudo do aluno, ensinando-o a ser “eficiente e efetivo” nessa tarefa. Assim, é interessante que o professor estimule o aluno a ler, a pesquisar, a buscar novas informações em material extra-classe, de forma que ele aprenda a estudar pesquisando. Desta forma, o aluno não precisa ficar “amarrado” ao conteúdo regular do plano de ensino da série ou nível em que se encontra (por ele, muitas vezes, já dominado) andando em seu próprio ritmo, ao mesmo tempo em que se evitam problemas na interação com colegas e mesmo com o professor.

2. Estimular que os alunos utilizem processos cognitivos complexos, tais como o pensamento criativo, a análise crítica, análises de prós e contras, etc... Esse tipo de atividade permite ao aluno exercitar suas competências de forma construtiva e favorecedora de um desenvolvimento dentro de seu próprio ritmo.

3. Estimular os alunos a discutirem amplamente sobre questões, fatos, ideias, aprofundando gradativamente o nível de complexidade da análise, até culminar em um processo de tomada de decisão e de comunicação com os demais acerca de planos, relatórios e soluções esperadas a partir das decisões tomadas. Este procedimento não só estimula as operações de análise (reflexão sobre os múltiplos componentes da realidade enfocada, a identificação de possibilidades alternativas para a solução de problemas) e de síntese, como também a organização do pensamento, o raciocínio lógico, o planejamento de ações, a avaliação de possíveis consequências e efeitos das ações planejadas, a comunicação social das ideias, dentre outras competências.

4. Estabelecer as habilidades de comunicação interpessoal necessárias para que os alunos trabalhem tranquilamente com parceiros de diferentes faixas etárias, e de todos os níveis do desenvolvimento cognitivo. O fato de ter altas habilidades, sejam elas as competências que forem, pode tornar-se impeditivo para a convivência entre pares, razão pela qual é de grande importância que a interação e a comunicação interpessoal constituam objetivos de ensino, de igual importância aos demais conteúdos curriculares.

5. Estimular o desenvolvimento do respeito pelos demais seres humanos, independentemente de suas características, talentos e competências. A criança portadora de altas habilidades pode se tornar alguém impaciente com pessoas que funcionam em nível ou ritmo diferente do seu, ou desenvolver um padrão de a elas desqualificar. Isto é prejudicial para seu desenvolvimento pessoal e social, podendo ter conseqüências destrutivas para seu próprio processo de aprendizagem, bem como para a sociedade. Assim, tratar do desenvolvimento e da prática do respeito humano enquanto conteúdo curricular é de importância e relevância educacional e social.

6. Desenvolver expectativas positivas do aluno quanto a escolhas profissionais que possam otimizar o uso de seus talentos e competências. (p.396).

Lewis e Doorlag (1991) abordam especificadamente a questão da criatividade, a qual “pode também ser conceituada como a habilidade de gerar soluções novas para problemas específicos” (p.397).

Fonte: MEC/SEESP – Projeto Escola Viva – Cartilha 09: Identificando e atendendo as necessidades educacionais especiais dos alunos com altas habilidades/superdotação (2000) – Acesso no site: www.portal.mec.br/seesp 

Sites interessantes:

Indicação de livro: Talento e superdotação Problema ou solução? SABATELLA, Maria Lucia Prado.
 

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